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terça-feira, 20 de setembro de 2011

A menina miope...





Pituca andava recalcada, refreada, camuflada. Era uma menina sonhadora que não encontrava seu lugar no mundo e então resolveu criar o seu país das maravilhas. Ela só se esqueceu de exteriorizar esse seu mundo. Ela tinha medo, medo que a realidade aqui de fora o transformasse em impossível. Assim, era tudo muito mais interior do que exterior. Do lado de fora ninguém enxergava o portal mágico onde a menina vivia com seu riso fácil, suas gargalhadas e seus sonhos. E sentiam falta dela aqui fora. Vez ou outra abria uma frestinha aqui pra fora e radiantes cores vazavam e brilhavam junto ao sol. Cores de esperança. Foco é bom, mas se não houver cuidado, vira obsessão. Pituca entendeu que sua capacidade de sonhar transcende um único sonho. Que o país das maravilhas esteve ao alcance dos seus olhos o tempo todo, mas ela estava concentrada só na sua bela formiguinha do jardim. Há muitos sonhos pra se sonhar e as vezes parece que o seu sonho não cabe no seu espaço, mas ele cabe. E cabem tanto outros que você nem imagina. Quem se abre se encontra e olha só: quantos sonhos escondidos! Quanto sabor gostoso que você não se permitiu experimentar. Pituca aceitou a libélula, a borboleta, a chuva e a graminha no seu jardim. A formiguinha ainda está lá, mas agora tudo fica mais belo e perceba que incrível: tudo ajuda na sobrevivência da sua formiguinha! E ela voltou a dividir suas cores e gargalhadas com todos aqui fora. Está encontrando o seu lugar e colorindo as esquinas por onde passa, e agora melhor do que nunca: as vezes ela descobre uma caixa de lápis de cor maior que a sua e sempre pede emprestado as cores novas em troca de seu apontador que ajuda a resgatar as cores de quem acha que as perdeu. Pituca sorri pro mundo e ele entrega de volta o seu enorme sorriso pra ela, cheio de vagalumes cintilantes!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Dúvida!


As vezes eu desejo que todo o meu mundinho faz de conta seja o de verdade e que meu mundinho de verdade se transforme no faz de conta. Será que não é assim que devia ser? O que realmente vale a pena nessa vida, o que se sente ou o que se toca?!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pedacinhos...


O pedacinho de vida que está por vir deixa o coração acelerado desde agora. O pedacinho de vida que passou deixa uma saudade que aperta. O interessante é fazer com que cada pedacinho de vida presente seja bom o suficiente pra um dia ter causado ansiedade e um dia vir a causar saudade!


imagem: Romero Britto.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ela, só ela me encanta...



Mulher que enfrenta a vida. Mulher que bate de frente. Ela tem uma doçura no olhar que sensibiliza. O jeitinho de olhar quando está encantada é tão singular, é tão mágico que eu acho que eu nunca mais vou rever na minha vida. Ninguém se parece com ela…O jeito que chora (raramente diante de alguém), parecendo uma criança desiludida que faz você sentir que precisa abraçar, proteger, cuidar…O jeito que ela briga, brava, orgulhosa, as vezes até insuportável.. até o jeito que ela briga é lindo! O jeito dela quando vem animada com uma novidade, toda afobada e com a voz meio sussurante, querendo a boa e velha “conversa a fora” ...O jeito que ela e só ela prepara a mesa, mesmo que seja só pra você. O jeito que ela te enrola quando esquece alguma coisa, nunca assumindo de fato sua culpa; o jeito que ela quer te tranquilizar quando existe um problema, querendo tomar pra ela própria. O jeito que ela vem de mansinho quando tá precisando conversar, quando quer um pouco da sua atenção…O jeito que ela se deslumbra com certas coisas, parecendo uma criança que tá descobrindo o mundo. A pureza…o olhar puro dela diante de alguma situação. Ela ainda tem uma pureza, uma ingenuidade no olhar, nos pensamentos e até mesmo nos atos, que deixa qualquer um apaixonado por ela. Uma mulher que acredita no bem, que vive pelo bem, que é muito certa de seus ideais e que vai até o fim por qualquer um deles. A mulher que faz pelos demais, mais do que faz por ela. Que tem um jeito único e não convencional de tratar cada um, e de encantar a todos. Aquelas que já fritou milhares de batatas fritas na vida por minha causa. A que compra as roupas que acabo nunca usando. A que escondeu roupas que quando eu era pequena eu não tirava! Aquela que nos meus maiores desafios estava la sorrindo e fazendo sinal de positivo o tempo todo. E também a que nos seus momentos difíceis nunca deixou de dar força pro próximo. Aquela que eu tenho orgulho de ser parecida. Aquela que eu faço questão que me acompanhe nas caminhadas da vida e além da vida.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Dica Cultural.


 Sesc Santos :: 10/07, às 17h30.

Cia. Pernilongos Insolentes Pintam de Humor a Tragédia 25anos apresenta:
O RECITAL DE SOFIA 
[O Recital de Sofia é um texto para crianças. Para todas elas. Inclusive as que cresceram e se permitem, vez ou outra, a não estabelecer limites entre o sonho e a realidade - Fábio Torrente (in Memorian)]


Um espetáculo que conta com um texto [Fábio Torrente] de extrema sensibilidade e poesia temperados à uma direção [Claudio Fernandes] que soube colocar perfeitamente o humor e o bom gosto, contemplado com números musicais [Maestro Mário Tirolli] que tornam a história ainda mais interessante e completa e finalizado por atores [Márcio de Souza, Meire Sant´Anna, Vanusa de Santis, Fernanda Ribeiro, Fabiola de Lima, Bruno Monin e Talita Nascimento] que amam o palco e tem o mais imenso carinho por esse trabalho chamado "O Recital de Sofia".

Quem puder, compareça. Vale muito a pena...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

é curioso...

Nós nascemos e tudo o que precisamos fazer é: dormir, mamar de horas em horas, sorrir pra mamãe e fazer barulhos e gracinhas pro papai! Passado esse momento as coisas começam a ficar difíceis pra nós, e precisamos transformar nossos espontâneos “barulhinhos” em milhões de palavras formadas e ainda por cima associá-las aos seus milhões de significados! Isso sem falar que precisamos ter o domínio do nosso corpo molenga e gordinho para que ele se equilibre em apenas dois pés. (E depois dizem que andar de bicicleta é que é difícil...) Mas essas dificuldades logo desaparecem e tudo se torna tão simples quanto dormir e mamar de hora em hora, e aí nós aprendemos a tirar proveito da firmeza dos nossos pés para correr por um mundo fascinante e cheio de possibilidades. As palavras se tornam alicerces para que tornemos claras as nossas vontades e opiniões. (Escolhemos a brincadeira da vez, o presente de Natal, a comida que gostamos...) Mais a frente, as coisas voltam a se tornar complicadas e não vemos mais a graça da boneca, da bola, da pipa... Nosso comportamento e até o jeito de andar que criamos há anos atrás já começa a parecer desengonçado perante o nosso corpo que incrivelmente sofre mudanças. Os tais “hormônios” que mal sabemos o que são, fazem aparecer pêlos no nosso corpo, fazem modificar a nossa voz a qual já estamos tão acostumados e para as meninas (coitadas de nós!), a mudança é ainda mais chocante: elas passam a sangrar! SANGRAR? O que está acontecendo!? Tudo isso mexe não só com o corpo, mas também com a auto-estima e o psicológico de cada um de nós. Precisamos nos re-conhecer, uns com menos e outros com mais dificuldade... E aí, parece que ninguém mais nesse mundo nos entende! Mas assim como se equilibrar sob nossas pernas, todas essas mudanças acabam se tornando orgânicas e também aprendemos a tirar proveito delas! É como uma escola de experiências e nos são apresentados alguns sentimentos que ainda não conhecíamos. Sentimos novas emoções, erramos em muitas atitudes, falamos sem pensar, e de vez em quando achamos que somos as pessoas mais infelizes do mundo... Mas um dia amadurecemos, nos tornamos adultos e enxergamos que apesar de erros, acertos, amores e rejeições, a adolescência foi uma fase de alegria. Até o sofrimento era alegre, e as conseqüências sempre pequenas! Assim, tudo o que fora pesado, aprendemos a enxergar com a mais suave leveza. E o tempo não pára. Os desafios agora são outros. Como encarar esse mundo enorme em que fomos inseridos? Ontem eu não tinha responsabilidade e agora preciso dar um jeito de começar a construir a minha vida! O que eu quero realmente ser? Quais são meus verdadeiros sonhos? Acredito nos meus sonhos? Quais são as minhas prioridades? E como fazer para transformar meus sonhos em realidade? Ou como abdicar de um sonho para encarar minha realidade? Tudo o que é distante sempre nos parece mais fácil, e acabamos com a terrível mania de nos colocar como vítimas de um mundo competitivo e sem espaço. Essa é só mais uma fase difícil, e não mais difícil do que as anteriores. Ela vai passar e um dia vai tudo vai se tornar tão simples quanto andar, falar, esquecer a boneca ou esquecer o pé na bunda do garoto da escola. É questão de persistir. Quantos tombos você levou até ficar de pé e dar seu primeiro passinho?

terça-feira, 28 de junho de 2011

Dica Cultural.



LINK - Imprensa Oficial
O site disponibiliza o download gratuito de todos os livros publicados pela Imprensa Oficial. 
A Coleção Aplausos é incrível. 
Vamos aproveitar...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Teatro Educação...

São muitas as formas de exemplificar a importância da arte na educação e essência de qualquer criança. Cabe então ao profissional saber aplicá-las e carregar sempre consigo e em seu trabalho a responsabilidade que o ofício exige. Apresentar esse universo a uma criança pode comprometer seus sonhos, seu futuro e sua posição na sociedade. Pode comprometer o futuro de um país, e o futuro de uma classe artística que é tão rica e ampla que não pode ser esquecida e nem substituída por nenhum método tecnológico que o mundo de hoje dispõe.

                           Foto: Meus mini-alunos maravilhosos ♥

falando de arte...

...a gente tava na rede e ele tocava o violão. e eu nunca pensei que acharia tão lindo alguém tocando violão. e ressalto: tão lindo. porque simplesmente "lindo" sempre achei, gosto de quem gosta de música! mas descobri que existe muito mais do que isso. existe o tão lindo, o que faz chorar só de ouvir, com os olhos fechados. aquele choro que é resultado de um turbilhão de emoções que chegam ao mesmo tempo. e tudo isso acontecendo ali, há centimetros de mim...ele tocava e cantava, com a voz rouca porém suave, com desafinos contudo gostosa. com o som do violão gritando verdades em velocidades. e isso tudo se fez incrível de tal forma que eu não conseguia nem cantar junto, pra não estragar o que tava perfeito. e eu só queria continuar ali, ouvindo aquilo, congelar naquele momento. entrava música, saia música e tudo fluia com uma naturalidade que se fazia emoção. vez ou outra eu tinha coragem de abrir o olho e assistir aquela cena sublime. e olhava pouco, porque tava tudo tão intenso que dava um tremendo medo. ali morava o perigo fatal e eu não queria cair na cilada. o pouco que eu olhava me passava todo sentimento do mundo, o rosto acrescentava em tudo o que meus olhos fechados já enxergavam. mais além do que só o som, aquela figura exalava arte...os olhos, o sorriso o corpo reagindo involuntariamente àquele som. depois de anos percebi a "sutil" diferença de ouvir alguém tocar um violão e de ouvir alguém fazer arte com um violão. diferença sutil pra quem somente escuta, enorme pra quem sente. fazer arte não está em tocar e cantar perfeitamente, ter todas as técnicas e fazer tudo rigorosamente como manda a regra...está exatamente em atingir o mais fundo de seu público, que seja apenas uma pessoa, um simples espectador. é quando esse simples espectador consegue ouvir e ser tocado lá no fundo, com verdade e sentimento. aquilo que sai totalmente de dentro de quem faz diretamente pra dentro de quem ouve, aquilo que vai além de uma cifra decorada tocada em um instrumento. a verdade na voz, a verdade no som, na frequencia. como aquilo era lindo. mais do que música, aquilo não tinha definição mais perfeita do que: ARTE. existem pessoas que tocam instrumentos. e pessoas que fazem arte com eles. e mais além: existem artistas, que são aquelas pessoas que fazem com arte tudo o que fazem. reconheci alguém assim...

Boas vindas!

...Porque quem muito sonha, quem tem arte, quem sente palco, quem é gente, e principalmente insolente...precisa dividir pra evitar a crise! 
Muito bem-vindos às minhas histórias...Ou talvez estórias. 
Até Breve!