Nós nascemos e tudo o que precisamos fazer é: dormir, mamar de horas em horas, sorrir pra mamãe e fazer barulhos e gracinhas pro papai! Passado esse momento as coisas começam a ficar difíceis pra nós, e precisamos transformar nossos espontâneos “barulhinhos” em milhões de palavras formadas e ainda por cima associá-las aos seus milhões de significados! Isso sem falar que precisamos ter o domínio do nosso corpo molenga e gordinho para que ele se equilibre em apenas dois pés. (E depois dizem que andar de bicicleta é que é difícil...) Mas essas dificuldades logo desaparecem e tudo se torna tão simples quanto dormir e mamar de hora em hora, e aí nós aprendemos a tirar proveito da firmeza dos nossos pés para correr por um mundo fascinante e cheio de possibilidades. As palavras se tornam alicerces para que tornemos claras as nossas vontades e opiniões. (Escolhemos a brincadeira da vez, o presente de Natal, a comida que gostamos...) Mais a frente, as coisas voltam a se tornar complicadas e não vemos mais a graça da boneca, da bola, da pipa... Nosso comportamento e até o jeito de andar que criamos há anos atrás já começa a parecer desengonçado perante o nosso corpo que incrivelmente sofre mudanças. Os tais “hormônios” que mal sabemos o que são, fazem aparecer pêlos no nosso corpo, fazem modificar a nossa voz a qual já estamos tão acostumados e para as meninas (coitadas de nós!), a mudança é ainda mais chocante: elas passam a sangrar! SANGRAR? O que está acontecendo!? Tudo isso mexe não só com o corpo, mas também com a auto-estima e o psicológico de cada um de nós. Precisamos nos re-conhecer, uns com menos e outros com mais dificuldade... E aí, parece que ninguém mais nesse mundo nos entende! Mas assim como se equilibrar sob nossas pernas, todas essas mudanças acabam se tornando orgânicas e também aprendemos a tirar proveito delas! É como uma escola de experiências e nos são apresentados alguns sentimentos que ainda não conhecíamos. Sentimos novas emoções, erramos em muitas atitudes, falamos sem pensar, e de vez em quando achamos que somos as pessoas mais infelizes do mundo... Mas um dia amadurecemos, nos tornamos adultos e enxergamos que apesar de erros, acertos, amores e rejeições, a adolescência foi uma fase de alegria. Até o sofrimento era alegre, e as conseqüências sempre pequenas! Assim, tudo o que fora pesado, aprendemos a enxergar com a mais suave leveza. E o tempo não pára. Os desafios agora são outros. Como encarar esse mundo enorme em que fomos inseridos? Ontem eu não tinha responsabilidade e agora preciso dar um jeito de começar a construir a minha vida! O que eu quero realmente ser? Quais são meus verdadeiros sonhos? Acredito nos meus sonhos? Quais são as minhas prioridades? E como fazer para transformar meus sonhos em realidade? Ou como abdicar de um sonho para encarar minha realidade? Tudo o que é distante sempre nos parece mais fácil, e acabamos com a terrível mania de nos colocar como vítimas de um mundo competitivo e sem espaço. Essa é só mais uma fase difícil, e não mais difícil do que as anteriores. Ela vai passar e um dia vai tudo vai se tornar tão simples quanto andar, falar, esquecer a boneca ou esquecer o pé na bunda do garoto da escola. É questão de persistir. Quantos tombos você levou até ficar de pé e dar seu primeiro passinho?